É madrugada. Não consigo dormir recordando-me de um céu cinzento de uns poucos dias atrás, onde o vento brincava com meus cabelos enquanto meus cotovelos apoiavam-se na janela do quarto. Choveu forte naquele dia, e isso refrescou bastante a região como um todo. Estou comentando essas coisas porque ainda sinto medo de expressar meus sentimentos, e falar sobre o tempo é o que se faz quando não se quer falar sobre nada em específico. Temo porque um dia entreguei-me por inteiro e sofri. Sofri tanto que, atualmente, só alguém que esteja realmente disposto a conquistar-me seria capaz de me fazer companhia, pois não me demoro em coração algum. Não depois do que vivi. Alguém que não só me diga, mas que também aja de acordo; que more no sabor existente no desfrutar da própria companhia e consiga compreender a complexidade residente no ato de simplesmente ser. Tudo que sinto ao relembrar do céu cinzento é reflexo das lembranças guardadas desse amor ...